A minha participação da Maratona do Porto deste ano teve contornos completamente diferentes das antesriores 3 edições em que alinhei à partida da prova.
No primeiro ano que fui (em 2008), vivia a emoção da estreia. Tinha feito uma preparação razoável, embora a falta de experiência fosse evidente. Acabei em perda, mas muito feliz pela sensação de cortar a meta, uma das mais intensas da minha existência.
No segundo ano tinha feito uma preparação melhor e as expectativas eram altas. Apesar de ter feito aí o meu melhor tempo na distância, acabei bastante debilitado (creio que por falta de alimentação durante a prova), tendo passado longos minutos na tenda da Cruz Vermelha. No fundo, foi bom pelo record, mas algo traumático.
No ano passado as coisas correram ainda pior. Também entusiasmado por uma boa preparação, geri mal os andamentos e paguei uma pesadíssima factura, não conseguindo chegar à meta e tendo, novamente, de recorrer aos eficazes serviços da equipa da Cruz Vermelha quando faltavam escassos três quilómetros para a chegada. Depois do que tinha sucedido no ano anterior, esta situação levou-me a mudar algumas coisa na minha preparação para as maratonas. Confiante na nova estratégia de preparação, apostei em mudar de ares e fazer uma maratona na Primavera. Talvez o Porto me estivesse a dar azar! Foi em Maio, mas em circunstâncias muito condicionadas por um inesperado problema de saúde que me impediu de correr durante quatro das últimas seis semanas antes da prova. Apesar disso, e porque tinha feito uma preparação muito boa entre Janeiro e Março, o resultado foi muito satisfatório, não tanto pelo tempo final, mas pelas sensações que vivi e pelo sentimento de superação que se apoderou de mim.
Depois disso, a minha participação na Maratona do Porto era um dado adquirido. Ja refeito do problema de saúde, sentia-me em condições de fazer uma boa preparação e conseguir, também no Porto, correr uma maratona que me deixasse plenamente realizado: um bom tempo e boas sensações físicas durante e após a corrida.
Infelizmente, tudo correu mal. Não interessando aprofundar aqui as razões que levaram a que tenha corrido tão pouco nos últimos meses, a verdade é que a minha preparação me aconselhava a tudo, menos correr uma maratona. Vejam lá:
Julho - 5 treinos - 52 Km
Agosto - 10 treinos - 114 km
Setembro - 10 treinos - 122 km
Outubro - 0 treinos - 0 km
Novembro - 0 treinos - 0 km
Em resumo, fiz 25 treinos e 288 km nas 18 semanas antes da prova, sendo que corri zero vezes e zero quilómetros nas seis semanas imediatamente anteriores à prova.
Estando a inscrição feita desde Agosto, passei as últimas semanas a pensar no que haveria de fazer. Uma hipótese era pedir à organização a transferência da minha inscrição para a Family Race. A outras alternativa era não ir, como fiz na Corrida de S. João, uma prova à qual não falava há bastante tempo.
Andei nisto até à semana da prova. Não sei bem o que me fez decidir, mas, confrontado com estas dúvidas existênciais, acabei por escolher a maratona.
Nestas circunstâncias havia muito receio. Como é que irei reagir? Será que o corpo vai aguentar um esforço tão grande depois de perder a rotina da corrida? Será que, mesmo reduzindo o ritmo, irei conseguir? Enfim, as dúvidas eram imensas.
Talvez por isso, tenho escrito pouco neste blog. Quem o segue certamente reparou no silêncio dos últimos meses e agora percebe que não é só de palavras, mas também de quilómetros. De qualquer forma, quem gosta de correr pode ter fases melhores e fases menos boas, mas uma coisa é certa:
- Uma vez maratonista, maratonista para a vida!
Maratonista
Tuesday, 8 November 2011
Monday, 7 November 2011
Maratona do Porto
Fui um dos que correram ontem a Maratona do Porto. Tal como seria de esperar, a prova não me correu nada bem. Acabei com o tempo de 4h43m56s com os musculos completamente "derretidos" e com grande sacrifício.
Este resultado é a consequência de uma fase em que não tenho treinado rigorosamente nada (a última vez que tinha corrido antes da maratona tinha sido no dia 26 de Setembro), pelo que o tempo alcançado e os sacrifícios por que passei não surpreendem.
Apesar disso, fiquei muito satisfeito por ter participado da grande festa que foi a Maratona do Porto e por ter conseguido terminar a minha 4ª maratona. Mais do que isso, gostei de ter terminado a Maratona do Porto sem ter experimentado a tenda da Cruz Vermelha, conforme tinha sucedido nos últimos 2 anos!
Nos próximos dias desenvolverei o assunto.
Este resultado é a consequência de uma fase em que não tenho treinado rigorosamente nada (a última vez que tinha corrido antes da maratona tinha sido no dia 26 de Setembro), pelo que o tempo alcançado e os sacrifícios por que passei não surpreendem.
Apesar disso, fiquei muito satisfeito por ter participado da grande festa que foi a Maratona do Porto e por ter conseguido terminar a minha 4ª maratona. Mais do que isso, gostei de ter terminado a Maratona do Porto sem ter experimentado a tenda da Cruz Vermelha, conforme tinha sucedido nos últimos 2 anos!
Nos próximos dias desenvolverei o assunto.
Thursday, 13 October 2011
Um palhaço
Há coisas que não merecem grandes comentários. A história deste palhaço é uma delas.
Simplesmente lamentável.
Simplesmente lamentável.
Tuesday, 11 October 2011
Terminar uma maratona e...
... saír imediatamente para a maternidade para ter um filho!
Parece incrível, mas a verdade é que no último fim de semana, uma americana, grávida de 39 semanas, cometeu essa loucura.
Vejam as fotos do lindo rebento!
Parece incrível, mas a verdade é que no último fim de semana, uma americana, grávida de 39 semanas, cometeu essa loucura.
Vejam as fotos do lindo rebento!
Friday, 23 September 2011
Uma conversa
No final da Meia Maratona Sport Zone dizia-me um amigo:
- Sempre vais à Maratona?
- Já estou inscrito - disse eu.
- Então este ano vou correr ao teu lado. Quero ver se faço 3h30m e aproveito a tua "boleia".
- Olha que não! Olha que não!, referi eu. Este ano ando a treinar muito pouco e vou fazer a prova muito mais devagar, apenas com o objectivo de terminar.
- Ohhh lá estás tu! Já sei como és! Dizes isso, mas depois não aguentas...
No fundo ele tem razão: eu costumo ser sempre muito pouco rigoroso no cumprimento dos andamentos delineados. A diferença deste ano é que já conheço bem qual é o preço que se paga quando isso acontece, pelo que se disse que vou fazer a prova muito devagar, vai ser mesmo assim. Apareça quem aparecer, este ano ninguém me desvia!
- Sempre vais à Maratona?
- Já estou inscrito - disse eu.
- Então este ano vou correr ao teu lado. Quero ver se faço 3h30m e aproveito a tua "boleia".
- Olha que não! Olha que não!, referi eu. Este ano ando a treinar muito pouco e vou fazer a prova muito mais devagar, apenas com o objectivo de terminar.
- Ohhh lá estás tu! Já sei como és! Dizes isso, mas depois não aguentas...
No fundo ele tem razão: eu costumo ser sempre muito pouco rigoroso no cumprimento dos andamentos delineados. A diferença deste ano é que já conheço bem qual é o preço que se paga quando isso acontece, pelo que se disse que vou fazer a prova muito devagar, vai ser mesmo assim. Apareça quem aparecer, este ano ninguém me desvia!
Monday, 19 September 2011
Meia Maratona Sport Zone
Corri ontem a Meia Maratona Sport Zone. Esta, que teve a sua primeira edição em 2007, é já uma das mais prestigiadas Meias Maratonas do panorama nacional e internacional, pois tem contado com a presença dos melhores especialistas mundiais nas distância. Este ano também assim foi, com a participação (e vitória) do recordista mundial da distância, o Eritreu Zerzenay Tadese, que conseguiu, pela primeira vez no Porto, baixar da hora à meia maratona.
A minha participação deste ano, a quinta em cinco edições, foi bastante modesta. Perante a falta de treinos em quantidade e qualidade desejável para a participação na Maratona do Porto deste ano (o próximo objectivo), aproveitei esta prova para fazer um treino longo.
Por isso mesmo, tudo começou cerca de uma hora antes da prova, quando comecei o meu treino. Estacionando o carro no local da meta, fiz o percurso até à partida a correr, sempre num ritmo lento e confortável. O objectivo era o de somar quilómetros ao treino. Fiz cerca de 9,5 km.
Com a vontade de fazer o máximo de quilómetros possíveis, acabei por chegar ao ponto de partida mesmo em cima da hora de ser dada a largada para a prova. Não devo ter parado mais de um ou dois minutos entre o treino inicial e a prova propriamente dita. Com esta atrapalhação nem houve tempo para hidratar, conforme era minha intenção.
Como estava na frente, fiz os primeiros 500 metros em ritmo muito elevado para não ser atropelado pela multidão. Logo que pude, encostei e comecei a imprimir o meu ritmo. A ideia era rolar ligeiramente abaixo dos 5:00/km e ir escutando os sinais do corpo. Se desse para mais, aceleraria na segunda metade. Se não desse, tentaria manter esse ritmo.
Sempre no meio da multidão estava a fazer a minha corrida sem qualquer pressão. Nem quando passava por mim gente conhecida que, simpaticamente, me tentava arrastar para andamentos que não eram os meus eu cedia. O plano era mesmo para cumprir, pois sabia que não estava em condições para grandes aventuras. Era uma espécie de regime de solidão auto-imposto, aquele em que eu seguia no meio de grande multidão.
Fui fazendo quilómetros entre os 4:45/km e os 5:00/km e estava bastante confortável. A certa altura uma atleta pergunta-me qual o tempo que eu pensava fazer no final. Respondi-lhe que a coisa deveria ficar por 1h45m ao que ela respondeu prontamente: "Vou consigo"!
Finalmente arranjava uma companhia. Disse-me que era de Vila do Conde, tal como eu. Fomos lado a lado durante cerca de 1,5 a 2 km até à entrada na zona do Cais de Gaia. Aí, com as ligeiras subidas e a confusão do abastecimento, ela cedeu. Ainda tentei esperar um pouco, mas tinha a sensação de que a minha parceira não iria conseguiur recolar e, com pena de perder a companhia desta conterrânea, lá continuei na minha toada regular.
Passei aos dez quilómetros ligeiramente abaixo dos 49 minutos. Era bom. Como o treino era longo, levei comigo três cubos de marmelada. O primeiro tinha sido ingerido entre o treino pré-prova e o segundo foi aos 11 km. Não sei se foi por isso, se pelo calor que se fazia sentir, estava com muita sede. A cada abastecimento levava uma garrafa e bebia bastante. No início tive algum receio de ter alguma indisposição abdominal copmo muitas vezes me aconteceu quando bebia água ou isotónico a mais. A verdade é que não tive nenhum problema a esse nível.
Depois do túnel da Ribeira comecei a sentir o "peso" dos quilómetros. As pernas estavam a ficar pesadas e os 5:00/km estavam a tornar-se difíceis de manter. Mesmo assim ainda consegui andar sempre abaixo disso até aos 18Km e só nos últimos 3 é que andei ligeiramente acima.
Acabei a prova com 1h45m18s, um tempo fraco, mas que ilustra bem um estado de forma resultante de uma baixíssima carga de treinos. O objectivo é tentar aumentar um pouco o número de treinos para ver se consigo chegar ao dia da Maratona do Porto com a mínimas condições para a completar. Não vai ser fácil, mas há-de conseguir-se.
A minha participação deste ano, a quinta em cinco edições, foi bastante modesta. Perante a falta de treinos em quantidade e qualidade desejável para a participação na Maratona do Porto deste ano (o próximo objectivo), aproveitei esta prova para fazer um treino longo.
Por isso mesmo, tudo começou cerca de uma hora antes da prova, quando comecei o meu treino. Estacionando o carro no local da meta, fiz o percurso até à partida a correr, sempre num ritmo lento e confortável. O objectivo era o de somar quilómetros ao treino. Fiz cerca de 9,5 km.
Com a vontade de fazer o máximo de quilómetros possíveis, acabei por chegar ao ponto de partida mesmo em cima da hora de ser dada a largada para a prova. Não devo ter parado mais de um ou dois minutos entre o treino inicial e a prova propriamente dita. Com esta atrapalhação nem houve tempo para hidratar, conforme era minha intenção.
Como estava na frente, fiz os primeiros 500 metros em ritmo muito elevado para não ser atropelado pela multidão. Logo que pude, encostei e comecei a imprimir o meu ritmo. A ideia era rolar ligeiramente abaixo dos 5:00/km e ir escutando os sinais do corpo. Se desse para mais, aceleraria na segunda metade. Se não desse, tentaria manter esse ritmo.
Sempre no meio da multidão estava a fazer a minha corrida sem qualquer pressão. Nem quando passava por mim gente conhecida que, simpaticamente, me tentava arrastar para andamentos que não eram os meus eu cedia. O plano era mesmo para cumprir, pois sabia que não estava em condições para grandes aventuras. Era uma espécie de regime de solidão auto-imposto, aquele em que eu seguia no meio de grande multidão.
Fui fazendo quilómetros entre os 4:45/km e os 5:00/km e estava bastante confortável. A certa altura uma atleta pergunta-me qual o tempo que eu pensava fazer no final. Respondi-lhe que a coisa deveria ficar por 1h45m ao que ela respondeu prontamente: "Vou consigo"!
Finalmente arranjava uma companhia. Disse-me que era de Vila do Conde, tal como eu. Fomos lado a lado durante cerca de 1,5 a 2 km até à entrada na zona do Cais de Gaia. Aí, com as ligeiras subidas e a confusão do abastecimento, ela cedeu. Ainda tentei esperar um pouco, mas tinha a sensação de que a minha parceira não iria conseguiur recolar e, com pena de perder a companhia desta conterrânea, lá continuei na minha toada regular.
Passei aos dez quilómetros ligeiramente abaixo dos 49 minutos. Era bom. Como o treino era longo, levei comigo três cubos de marmelada. O primeiro tinha sido ingerido entre o treino pré-prova e o segundo foi aos 11 km. Não sei se foi por isso, se pelo calor que se fazia sentir, estava com muita sede. A cada abastecimento levava uma garrafa e bebia bastante. No início tive algum receio de ter alguma indisposição abdominal copmo muitas vezes me aconteceu quando bebia água ou isotónico a mais. A verdade é que não tive nenhum problema a esse nível.
Depois do túnel da Ribeira comecei a sentir o "peso" dos quilómetros. As pernas estavam a ficar pesadas e os 5:00/km estavam a tornar-se difíceis de manter. Mesmo assim ainda consegui andar sempre abaixo disso até aos 18Km e só nos últimos 3 é que andei ligeiramente acima.
Acabei a prova com 1h45m18s, um tempo fraco, mas que ilustra bem um estado de forma resultante de uma baixíssima carga de treinos. O objectivo é tentar aumentar um pouco o número de treinos para ver se consigo chegar ao dia da Maratona do Porto com a mínimas condições para a completar. Não vai ser fácil, mas há-de conseguir-se.
Saturday, 3 September 2011
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