Tuesday, 2 September 2008

O percurso da Maratona


O percurso da edição deste ano da Maratona do Porto é excelente! Não posso fazer a comparação com os anos anteriores, pois não sei se era o mesmo, mas considero que a opção da organização dificilmente poderia ser melhor.

Em termos de desnível, a prova é bastante acessível. A única inclinação digna de registo aparece logo no primeiro quilómetro, quando subimos a Rua Júlio Dinis em direcção à Rotunda da Boavista. Para além disso, há apenas ligeiras inclinações de grau de dificuldade baixo que não causarão um desgaste especialmente acrescido.

Em termos de piso, todo o percurso é em alcatrão de boa qualidade, com a excepção de um pequeno troço na zona da Foz do Douro. De todos os aspectos, talvez esse seja o menos positivo. No entanto, também não causará grande incómodo, pois não deve ultrapassar um quilómetro (somando as passagens na ida e na volta).

Finalmente, em termos de paisagem julgo que seria difícil conseguir melhor na cidade do Porto. Percorrer toda a zona poente da cidade, desde a Rotunda de Matosinhos Sul até à Foz do Douro e depois a marginal ribeirinha até ao Freixo, atravessando a Ponte D. Luís para uma incursão na valorizadíssima Ribeira de Gaia é algo a que nenhum atleta consegue ficar indiferente. Como não poderia deixar de ser, qual cereja em cima do bolo, o final acontece na porta de entrada do Parque da Cidade, o grande pulmão da cidade e um local de peregrinação de imensos atletas.

Para mim, que farei no dia 26 de Outubro a primeira Maratona da minha vida, dificilmente poderia encontrar melhor enquadramento para a concretização deste objectivo pessoal.

Monday, 1 September 2008

Agosto - Resumo do mês de treinos


Seguindo o meu Plano de Treinos específicos para a Maratona do Porto, terminei ontem o primeiro dos cerca de três meses previstos para a preparação dessa grande aventura. O balanço geral é bastante positivo, como penso que os números bem demonstram:
- Nº. de treinos: 23
- Nº. de dias de descanso: 8
- Nº. de Km percorridos: 299,2
- Nº. de treinos de séries: 6
- Nº. de treinos com rampas: 1
- Tempo de corrida: 25h 14m 11s
- Tempo médio por KM: 5m 04
- Treino mais longo: 28 Km
- Treino mais curto: 7 Km

Para além destes números é importante registar que não tenho sentido nenhum problema de ordem física que me tenha afectado a capacidade para treinar.

Finalmente, importa referir que me sinto bastante motivado para o desafio da Maratona e que, por isso mesmo, tenho treinado com grande satisfação.

No mês de Setembro irei tentar fazer mais treinos com rampas e intensificar um pouco o trabalho de velocidade. Para além disso, terei um bom teste às minhas capacidades, pois já estou inscrito na Meia Maratona Sport Zone, prova em que espero melhorar o meu record pessoal, que neste momento está na casa de 1h 36m.

Wednesday, 27 August 2008

Faltam 59 dias


Já só faltam 59 dias para a Maratona do Porto. A contagem decrescente avança a um ritmo que me traz à lembrança a forma como costumo encarar as meias maratonas: ao fim do primeiro quilómetro lembro-me que já só faltam mais vinte; ao fim do quinto já estou mais satisfeito, pois só faltam dezasseis, etc...
Com a preparação para a Maratona é um pouco a mesma coisa. Hoje estamos a 59 dias do grande momento, amanhã só estaremos a 58... Para mim, esta forma de pensar faz com que o esforço seja menos difícil de suportar e com que consiga encarar com optimismo aquilo que está para vir.
Desde que comecei a preparação para a Maratona do Porto de forma mais intensa, ou seja, desde o passado dia 1 de Agosto, já levo 20 treinos e mais de 250 Km corridos. A carga de treino, em doses que nunca havia experimentado, está a ser bastante bem aceite pelo corpo. Julgo que o plano que estou a seguir (apresentado no site a Maratona do Porto, da responsabilidade do meu amigo Jorge Teixeira) está bem idealizado e a forma como o estou a interpretar, ou seja, os ritmos que estou a imprimir aos vários tipos de treino, estão a dar bons resultados. Não sei se serão resultados em termos cronométricos, mas isso é, neste caso o menos importante. O que mais interesse nesta situação é que me estou a sentir bastante bem e a ganhar confiança para encarar o desafio da Maratona com crescente optimismo.

Espero que assim continue!

Tuesday, 26 August 2008

28 Km

Fiz este último Domingo o meu primeiro treino longo para a Maratona do Porto. Ao todo, foram 28 Km em piso de alcatrão, totalmente plano (o cenário foi o do costume, a marginal entre o Castelo de Vila do Conde e a Póvoa de Varzim).
Fazendo atletismo há muito tempo, esta foi a primeira vez que corri, de uma só vez, mais do que meia maratona (21 Km) seguida. Quer em provas, quer em treinos, a distância da meia maratona era algo familiar e com a qual me sentia confortável, pois tinha como garantido que, com mais ou menos sacrifício, a conseguia fazer. No entanto, certamente por uma questão psicológica, correr mais do que 21 Km seguidos parecia, na minha cabeça, algo muito difícil e que me causaria fortes dificuldades. Pelo menos, era essa a ideia que eu tinha.
Bom, a verdade é que o treino correu muito bem. Fi-lo acompanhado até aos 15 Km, distância a partir da qual segui sozinho por indisponibilidade de tempo do meu parceiro de treinos dominicais.
O tempo final para os 28 Km foi de 2h22m37s, o que faz uma média pouco superior a 5:05/Km, com uma pulsação média de cerca de 152 batimentos por minuto, sendo que cerca de 80% do tempo estive abaixo dos 80% do limiar de esforço cardiaco.
Tendo corrido num ritmo bastante confortável até aos 21 Km (não sei se por influência da tal distância psicológica), senti algum desgaste nos últimos 7 Km, tendo chegado ao final algo fatigado. Não era nada que me impedisse de continuar (não garanto por quantos mais Km ao mesmo ritmo), mas era algo que dava para sentir, essencialmente nas pernas. De qualquer forma, foi um cansaço que ao final da tarde já estava praticamente ultrapassado, o que me deixou bastante satisfeito.
Quem se está a preparar para a primeira Maratona, como é o meu caso, e ouve falar tanto na história do "muro dos 32Km", o esforço que fiz nos últimos Km fez-me ter uma ideia vaga do que isso possa ser.

A conclusão que tiro é a constatação deque fiz um treino em ritmo controlado e que, caso fosse mantido ao longo de uma Maratona completa, me daria a possibilidade de fazer um tempo final na ordem das 3h35m. Como ainda faltam 2 meses para o grande dia e ainda estou apenas a um terço do plano de treinos definido, acho que é animador!

Friday, 22 August 2008

Portugal

Até à Medalha de Ouro conquistada por Nelson Évora o país maldizia a plenos pulmões a comitiva olímpica portuguesa. Palavras como "malandros", "preguiçosos", entre outras, eram usadas abundantemente para criticar a falta de resultados dos nossos atletas e a forma como alguns se expressaram publicamente.
Entendo que esse coro de críticas é injusto e totalmente desadequado. Considero-o mesmo lamentável e uma das expressões mais claras da falta de cultura desportiva dos portugueses. Com isto não quero desculpar algumas palavras desadequadas que foram proferidas por atletas menos preparados para lidar com a sociedade mediática em que vivemos ou mesmo a forma menos aplicada como um ou outro possa ter encarado a competição. De qualquer forma são casos isolados que não justificam, nem de longe, aquilo que tem sido dito publicamente.

Hoje, as coisas mudaram um pouco. Depois da Medalha de Ouro, um notável feito de Nelson Évora, o clima está bastante mais amenizado e até parece que as coisas, afinal, nem correram tão mal assim. De qualquer forma, há hoje um facto que explica, claramente, a razão pela qual Portugal tem a competitividade olimpica que tem e consegue os resultados que consegue. A verdade é que os portugueses não gostam nem percebem de desporto. É essa a razão pela qual não ganhamos mais medalhas. Querem que explique porque digo isto?

Ela aqui está:


O jornal desportivo que mais vende em Portugal, no dia posterior à conquista da quarta Medalha de Ouro em Jogos Olímpicos da história do desporto português dá o principal destaque da primeira página a... um jogador de futebol que tem para transmitir ao mundo uma absoluta banalidade: "Darei tudo para ser campeão".
Se o povo que acompanha o desporto em Portugal está mais interessado em saber que um jogador espanhol, conhecido por ser um falhado por onde tem passado, vai dar tudo para ser campeão do que em saber todos os pormenores quanto à prova de um atleta que acabou de SER Campeão Olímpico, penso que está tudo dito.

Thursday, 21 August 2008

Rei Nelson


Nelson Évora tornou-se hoje no quarto cidadão português em toda a história a conquistar uma Medalha de Ouro Olímpica. Antes dele só Carlos Lopes, Rosa Mota e Fernanda Ribeiro tinham conseguido alcançar tão extraordinária façanha.
A juventude de Nelson Évora faz-nos acreditar que este atleta ainda poderá vir a dar-nos muitos mais motivos de exultação e orgulho. De qualquer forma, aquilo que alcançou esta tarde é, só por si, suficiente para o colocar na galeria dos melhores desportistas portugueses de sempre.

Parabéns Nelson!

Monday, 18 August 2008

VANESSA


Há quatro anos Vanessa Fernandes surpreendeu o país com o brilhante 8º posto na prova de Triatlo dos Jogos Olímpicos de Atenas. Na altura ainda pouca gente conhecia a modalidade e eram menos ainda aqueles que sabiam do enorme potencial atlético da teenager de Perosinho.
Naquela altura, e depois da prova, Vanessa fez uma surpreendente declaração, pouco habitual ser escutada das bocas dos atletas portugueses:
- "Quero voltar aos jogos dentro de quatro anos, mas quero voltar para casa com alguma coisa ao peito".
Como é óbvio, Vanessa não se referia à parafernália de bijugangas alusivas aos Jogos Olímpicos ou à bijuteria das lojas de imitações que existem a cada esquina nas ruas de Pequim. Apesar de jovem, Vanessa apontava claramente, a quatro anos de distância, o objectivo de conquistar uma das três Medalhas Olímpicas em jogo na sua modalidade.

Quem acompanha o desporto português não está muito habituado a ver este tipo de confiança expressa com tanta clareza e com tanta antecedência. Mais, quem está atento a estas coisas e analisa o desempenho quatro anos vovidos de quem profere este tipo de afirmações, não lhes dá grande atenção, pois sabe que são proferidas a quente, na emoção de uma performance positiva, mas ainda não totalmente conseguida. É que, geralmente, elas não se costumam concretizar.

Por isso mesmo, valeu a pena ter feito o despetador trabalhar às 3:00h para assistir, em directo, à concretização da profecia de Vanessa Fernandes. Foi emocionante ver a jovem Vanessa dominar a prova durante os percursos de natação e ciclismo e depois assistir à forma como soube ler os sinais da concorrência e defender, com determinação, a medalha que os Deuses lhe haviam reservado para hoje. Com pena dela, não temos a menor dúvida, Vanessa percebeu, pouco depois de calçar as sapatilhas para os últimos dez quilómetros que ainda não era hoje que o ouro lhe adornaria o peito. Ainda a vimos tentar lutar contra isso, o que denota a sua determinação e valentia. No entanto, Vanessa sabe que o tempo corre a seu favor e que novas oportunidades surgirão. Sabe também que a Prata conquistada é um prémio fantástico e que colocará, apenas aos vinte e dois anos, o seu nome entre os melhores de sempre do desporto nacional.

Hoje, mais do que estar feliz por ter visto o meu país conquistar a sua primeira medalha nestes Jogos Olímpicos, estou feliz por saber que a Vanessa está feliz. Mais do que ninguém, ela merece esta medalha!
 
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