É curioso que nos comentários que os meus amigos deixaram ao post anterior utilizam algumas vezes a palavra "coragem" para qualificar a minha decisão de fazer a prova. Agora que esta já é passado, posso confessar o receio que tive de não conseguir superar o desafio com sucesso. Principalmente depois da experiência que fiz a nadar na piscina da Póvoa no dia anterior, o meu receio era enorme. Pior do que isso, pensei mesmo na "figura triste" que eu iria fazer, ao arrastar-me na piscina diante dos olhos de todos os que lá estivessem.
Os atletas em plena prova de natação
Este pensamento é terrível e, muitas vezes, as pessoas tendem a deixar de ousar pelo medo do parecer. No alto da nossa importância, quantas vezes damos connosco a pensar na hipótese do insucesso ou na "má imagem" que podemos deixar se tentarmos fazer algo para o qual não estejamos devidamente preparados.
Confesso, por isso, que num momento de fraqueza, entre a tarde de sábado e a manhã de domingo também fui abalado por esse pensamento medonho que, além de me pretender desmobilizar da prova, até tratava de arranjar óptimas razões para isso, o que ajudaria a deixar a minha consciência tranquila. Felizmente superei essa fraqueza e decidi avançar.
Com uma táctica para a natação que passava essencialmente por avançar o melhor que pudesse sem nunca chegar aos limites, ou seja, parando sempre que necessário, consegui chegar ao fim. Ia preparado para ser último nesse segmento e, por isso, não seria esse facto que me "deitaria abaixo". No entanto, até aí tive sorte, pois havia uma jovem do Porto e o João Plácido (amigo do Miguel Torres, o culpado de eu me ter inscrito) que fizeram a prova ao mesmo ritmo que eu.
Eu, numa das paragens para ganhar fôlego que fiz durante a minha prova
Tive a clara sensação que todas as pessoas que estavam a assistir tinham os olhos colocados em nós (talvez mais em mim, pois eles eram lentos, mas não paravam, enquanto que eu, para além de lento, ainda me agarrava às paredes da piscina a cada 25 metros). No entanto, as pessoas iam-nos incentivando, percebendo bem que estavamos ali a dar o melhor do nosso esforço.
Como bom principiante, acabei por ter outro ligeiro percalço que me fez perder alguns segundos (uns 20 ou 30). Na transição da natação para o ciclismo, calcei as sapatilhas, peguei na bicicleta e avancei. Já quase a sair do parque de transição reparo que me esqueci do capacete (que me tinha sido emprestado!) o que me obrigou a voltar para trás. Como as bicicletas eram tantas e não havia identificação do local de "estacionamento" de cada um, ainda andei à procura do meu cesto, o que não foi fácil!
Como aqui tinha dito, tive de arranjar uma bicicleta empresada. Acabei por recuperar uma bicicleta que o meu pai tinha comprado há uns 25 anos. Era uma bicicleta de corrida da marca Motobecane. Na altura em que foi comprada era uma máquina actual e de boa qualidade. Hoje não é mais do que uma peça que começa a ser apetecível para fazer parte da colecção dos amantes das bicicletas antigas. De tal forma assim o é que até o Manuel Zeferino, quando a viu, não deixou escapar um "piropo": «Grande bicicleta»!
O segmento de corrida não me correu nada bem. Não sei se por ter forçado demasiado no ciclismo, no qual sinto ter feito uma boa prova, acabei por não conseguir correr a um ritmo que me satisfizesse. Tive a sensação de ter as pernas presas e não estava com a menor capacidade de reacção. Logo na largada houve um atleta que fez comigo a transição e que em poucos metros me ganhou uma enorme vantagem o que me fez ver que iria ser bem mais dificil correr do que eu imaginava.
Na segunda metade da corrida já estava um bocadinho mais solto (não muito) e lá acabei por conseguir subir ligeiramente o ritmo. De qualquer forma foi algo frustrante aquilo que me aconteceu neste segmento, pois estava bastante confiante de que recuperaria alguns lugares nesta fase da prova, o que não aconteceu.
Consultei hoje o site da Federação de Triatlo e lá estava a classificação geral. Fiquei em 111º lugar (adoro capicuas) com o tempo oficial de 42m02s. Fiquei a 18m32s do vencedor, o promissor atleta Pedro Laginha Palma. Não tenho os parciais dos 3 segmentos, embora saiba que deverei ter demorado 10m 30s na natação. Somando a isso uns 2m para as transições, faz com que tenha gasto cerca de 30 minutos no ciclismo e na corrida.
Apesar de tudo, ainda deixei 18 atletas atrás de mim (neste número estão incluidos os que fizeram o triatlo em estafeta). Dos atletas que que participaram no meu grupo houve 28 que chegaram à minha frente e 10 que ficaram atrás de mim.
Tive o prazer de encontrar um colega da blogosfera, o Rui Pena. Foi a primeira vez que falamos e pude constatar que já é em "especialista" nestas coisas, pois fez uma boa prova. Gostei de o conhecer e espero voltar a encontrá-lo em próximas provas, sejam de Triatlo (pouco provável) ou de corrida.
Finalmente quero deixar uma palavra para a organização. À parte o atraso na partida, a prova estava muito bem organizada e sente-se que há bastante profissionalismo na equipa da Federação de Triatlo. Estas provas curtas são uma bela ideia para recrutar novos aderentes a uma modalidade que tem passado por um desenvolvimento notável nos últimos anos e que tão bons resultados internacionais tem conseguido.