Cheguei a Paranhos com pouco mais de uma hora de antecedência sobre o início da prova. O ambiente que se vivia nas redondezas do local de partida era já o das corridas. Não faltava gente em fato de treino deambulando pelas ruas, o odor aos cremes que os atletas utilizam para os seus musculos sentia-se a cada esquina, as ruas já se apresentavam com as barreiras de protecção e outros objectos de condicionamento do trânsito e o povo, ainda em escasso número, olhava para esse reboliço sem deixar de reparar nas diferenças face aos dias comuns.
Pouco depois de estacionar o carro parto ao encontro dos meus colegas de clube para levantar o meu dorsal. Pelo caminho vou encontrando alguns amigos, com foi o caso da dupla Meixedo/Velhote, entre muitos outros.
Já com o dorsal e o chip colocado (já nem estava habituado a colocar o chip!!!) faço um ligeiro aquecimento. Uns 20 minutos em passo bem lento na rua Manuel Laranjeira e no parque de estacionamento da Faculdade de Economia, momentos em que revivi alguns dos bons anos que lá passei!
Já eram quase 10.45h pelo que estava na hora de partir. Consegui colocar-me razoavelmente na grande coluna de quase 1.200 atletas, começando a prova em bom ritmo. O primeiro quilómetro foi percorrido em cerca de 3:50. Ainda com as baterias em alta fazemos a primeira subida em direcção à Rua Costa Cabral.

Nesta fase o ritmo baixa e o segundo quilómetro já é feito num ritmo superior a 4:00. Chegados a Costa Cabral começa a parte mais fácil da prova, sempre em percurso plano ou a descer (Constituição e Serpa Pinto). Nesta fase amealhei alguns segundos face à média de 4:00/Km. Sentia-me bem e a controlar as coisas sem forçar muito, pois sabia que a segunda parte da prova seria bem mais difícil.

Depois de descer Serpa Pinto começamos a subir, altura em que voltei a ritmos acima dos 4:00/Km. Com o tempo amealhado na parte mais fácil consegui passar aos cinco quilómetros com 20 minutos certos, o que era bem positivo.
Fui resistindo o melhor que pude até chegar a Vale Formoso, altura em que o terreno volta a ser mais fácil (desce e depois fica plano por um bom pedaço). Nesta fase voltei a andar abaixo dos 4:00/Km, tendo conseguido chegar aos oito quilómetros de prova com 32:15. Se conseguisse fazer os dois últimos quilómetros em bom ritmo, ainda poderia dar para baixar dos ambicinados quarenta minutos, pensava eu para me animar.

A verdade é que a cerca de 1,5 Km da meta comecei a sentir uma ligeira dor de burro que foi aumentando de intensidade à medida que ia avançando. O nono quilómetro já foi corrido em 4:08 e o décimo, que incluia a cruel subida da Rua Manuel Laranjeira, foi feito nuns miseráveis 4:38, o que me levou a perder algumas posições.
No final o meu relógio indicava o tempo de 41:33 para 10.130 metros de corrida. A organização creditou-me com 41:42, o que me coloca em
294º lugar da classificação geral e em 111º do meu escalão etário.
O meu balanço final é bastante positivo. Sinto que fiz uma boa prova e o resultado alcançado mostra que estou bem próximo da melhor forma que atingi antes de ter parado. Acredito que, com mais alguns treinos, poderei vir a conseguir baixar dos quarenta minutos!