Tal como aqui tinha dito, a meu grande problema para esta prova era a natação. Para além de nunca ter aprendido a nadar, sempre me mantive arredado da prática deste desporto, mesmo numa visão puramente lúdica. Por isso, tinha apenas a certeza de uma coisa: eu não seria capaz de nadar 300 metros seguidos.
Ontem tive a oportunidade de estar na Piscina Municipal da Póvoa (onde decorreu a prova) e fiz uma experiência. Nadei a piscina de uma ponta à outra (50 metros). É verdade que o consegui fazer, mas com um tal sacrifício e desgaste que tive de parar uns instantes antes de regressar ao ponto de partida. Esses segundos 50 metros já foram feitos com uma paragem a meio e no final sentia-me tão cansado que parece que tinha acabado de fazer uma maratona!
Bom, com este ensaio geral, as minhas expectativas para a prova eram muito baixas. O único objectivo era conseguir chegar ao fim. Como qualquer novato nestas coisas, tinha de ter alguma surpresa! Pois é, quando lá cheguei e comecei a olhar para a malta toda nas suas bicicletas com o capacete na mão (ou não cabeça), lembrei-me que que não tinha o meu o que poderia ser factor impeditivo de participar. Felizmente a organização da federação já deve contar com estas coisas e arranjou-me um capacete. O problema é que era um capacete de um tamanho que deveria servir bem... à minha filha. Com esforço lá o consegui colocar na cabeça, embora com muito desconforto.
Coube-me partir na segunda série e a táctica era simples: andar devagar, junto à parede da piscina (para qualquer eventualidade...) e ir nadando conforme fosse possível! Assim fiz. Em etapas de cerca de 25 metros, lá fui progredindo, com o objectivo de não me afogar nem desistir. Pelo meio ia parando para conseguir recuperar algum fôlego. Desta forma lá fui avançando até conseguir terminar a natação. Tinham passado poucos segundos dos 10 minutos previstos, pois quando saí da piscina já os atletas da série seguinte por lá andavam. Como é óbvio, fui o último da minha série, embora tenha dado forte luta a outros dois atletas que fizeram à prova à mesma velocidade, embora com menos paragens do que eu!
Seguiu-se depois o segmento de ciclismo, onde fiz uma boa recuperação. Senti-me bem em cima da bicicleta e consegui impor um bom ritmo, o que me permitiu recuperar algumas posições. À entrada para a corrida ia confiante, embora essa confiança rapidamente se tenha desvanecido. É que correr depois do forte esforço nos segmentos anteriores não é nada fácil. As pernas parecem presas e o ritmo era fraco. Aliás, creio que só depois do primeiro quilómetro é que consegui melhorar ligeiramente o ritmo.
Terminei a prova bem e gostei da experiência. Senti-me satisfeito por ter superado a natação e gostei de pedalar pelas ruas da Póvoa. Sinto que poderia ter feito bem melhor se treinasse um pouco a natação e as transições, mas o grande objectivo era experimentar uma nova modalidade e esse foi conseguido.