Monday, 1 June 2009

Algumas notas sobre o Triatlo da Póvoa

Já com uma noite dormida volto ao assunto do Triatlo que fiz ontem para deixar aqui algumas notas pessoais sobre o assunto.
É curioso que nos comentários que os meus amigos deixaram ao post anterior utilizam algumas vezes a palavra "coragem" para qualificar a minha decisão de fazer a prova. Agora que esta já é passado, posso confessar o receio que tive de não conseguir superar o desafio com sucesso. Principalmente depois da experiência que fiz a nadar na piscina da Póvoa no dia anterior, o meu receio era enorme. Pior do que isso, pensei mesmo na "figura triste" que eu iria fazer, ao arrastar-me na piscina diante dos olhos de todos os que lá estivessem.


Os atletas em plena prova de natação

Este pensamento é terrível e, muitas vezes, as pessoas tendem a deixar de ousar pelo medo do parecer. No alto da nossa importância, quantas vezes damos connosco a pensar na hipótese do insucesso ou na "má imagem" que podemos deixar se tentarmos fazer algo para o qual não estejamos devidamente preparados.
Confesso, por isso, que num momento de fraqueza, entre a tarde de sábado e a manhã de domingo também fui abalado por esse pensamento medonho que, além de me pretender desmobilizar da prova, até tratava de arranjar óptimas razões para isso, o que ajudaria a deixar a minha consciência tranquila. Felizmente superei essa fraqueza e decidi avançar.
Com uma táctica para a natação que passava essencialmente por avançar o melhor que pudesse sem nunca chegar aos limites, ou seja, parando sempre que necessário, consegui chegar ao fim. Ia preparado para ser último nesse segmento e, por isso, não seria esse facto que me "deitaria abaixo". No entanto, até aí tive sorte, pois havia uma jovem do Porto e o João Plácido (amigo do Miguel Torres, o culpado de eu me ter inscrito) que fizeram a prova ao mesmo ritmo que eu.

Eu, numa das paragens para ganhar fôlego que fiz durante a minha prova

Tive a clara sensação que todas as pessoas que estavam a assistir tinham os olhos colocados em nós (talvez mais em mim, pois eles eram lentos, mas não paravam, enquanto que eu, para além de lento, ainda me agarrava às paredes da piscina a cada 25 metros). No entanto, as pessoas iam-nos incentivando, percebendo bem que estavamos ali a dar o melhor do nosso esforço.

Como bom principiante, acabei por ter outro ligeiro percalço que me fez perder alguns segundos (uns 20 ou 30). Na transição da natação para o ciclismo, calcei as sapatilhas, peguei na bicicleta e avancei. Já quase a sair do parque de transição reparo que me esqueci do capacete (que me tinha sido emprestado!) o que me obrigou a voltar para trás. Como as bicicletas eram tantas e não havia identificação do local de "estacionamento" de cada um, ainda andei à procura do meu cesto, o que não foi fácil!

Como aqui tinha dito, tive de arranjar uma bicicleta empresada. Acabei por recuperar uma bicicleta que o meu pai tinha comprado há uns 25 anos. Era uma bicicleta de corrida da marca Motobecane. Na altura em que foi comprada era uma máquina actual e de boa qualidade. Hoje não é mais do que uma peça que começa a ser apetecível para fazer parte da colecção dos amantes das bicicletas antigas. De tal forma assim o é que até o Manuel Zeferino, quando a viu, não deixou escapar um "piropo": «Grande bicicleta»!

O segmento de corrida não me correu nada bem. Não sei se por ter forçado demasiado no ciclismo, no qual sinto ter feito uma boa prova, acabei por não conseguir correr a um ritmo que me satisfizesse. Tive a sensação de ter as pernas presas e não estava com a menor capacidade de reacção. Logo na largada houve um atleta que fez comigo a transição e que em poucos metros me ganhou uma enorme vantagem o que me fez ver que iria ser bem mais dificil correr do que eu imaginava.
Na segunda metade da corrida já estava um bocadinho mais solto (não muito) e lá acabei por conseguir subir ligeiramente o ritmo. De qualquer forma foi algo frustrante aquilo que me aconteceu neste segmento, pois estava bastante confiante de que recuperaria alguns lugares nesta fase da prova, o que não aconteceu.

Consultei hoje o site da Federação de Triatlo e lá estava a classificação geral. Fiquei em 111º lugar (adoro capicuas) com o tempo oficial de 42m02s. Fiquei a 18m32s do vencedor, o promissor atleta Pedro Laginha Palma. Não tenho os parciais dos 3 segmentos, embora saiba que deverei ter demorado 10m 30s na natação. Somando a isso uns 2m para as transições, faz com que tenha gasto cerca de 30 minutos no ciclismo e na corrida.
Apesar de tudo, ainda deixei 18 atletas atrás de mim (neste número estão incluidos os que fizeram o triatlo em estafeta). Dos atletas que que participaram no meu grupo houve 28 que chegaram à minha frente e 10 que ficaram atrás de mim.

Tive o prazer de encontrar um colega da blogosfera, o Rui Pena. Foi a primeira vez que falamos e pude constatar que já é em "especialista" nestas coisas, pois fez uma boa prova. Gostei de o conhecer e espero voltar a encontrá-lo em próximas provas, sejam de Triatlo (pouco provável) ou de corrida.

Da esquerda para a direita: Miguel Torres, eu, João Plácido e Rui Pena

Finalmente quero deixar uma palavra para a organização. À parte o atraso na partida, a prova estava muito bem organizada e sente-se que há bastante profissionalismo na equipa da Federação de Triatlo. Estas provas curtas são uma bela ideia para recrutar novos aderentes a uma modalidade que tem passado por um desenvolvimento notável nos últimos anos e que tão bons resultados internacionais tem conseguido.

12 comments:

MT said...

Parabéns pela persistência. Por outro lado há que referir que apesar de parares muitas vezes eras bem mais rápido que os teus dois companheiros de prova. Mesmo com as tuas paragens a cada 25m eles nunca descolavam. Foi de facto uma excelente prova para todos, sobretudo para quem se estreou. A mim fez-me perder o medo de nadar em competição e já vou colocar triatlos no meu calendário de provas. Espero ver-te por lá. Dia 14 há um duatlo em Perosinho.

Anonymous said...

Olá Miguel
parabéns pelo teu 1º triatlo, apesar das dificuldades na natação (ou se calhar por isso mesmo) foi sem dúvida alguma uma conquista assinalável.
É um desporto que aprecio bastante mas no qual nem passa pela cabeça aventurar-me um dia (já passou...há uns largos anos).
Continuação de boas provas (sejam corridas, sejam triatlos, sejam duatlos,...).
Abraço,
António Almeida

joaquim adelino said...

Parabéns amigo Paiva.
Eu não me atreviria a fazer uma coisa dessas, no grupo de amigos que treina comigo uma parte deles (incluindo o Daniel) de vez em quando também fazem uma brincadeira dessas. Eu, como já disse, nadar é só para me manter ao de cima e conseguiria só fazer uma piscina, e mesmo assim não sei.
Miguel acho que essa brincadeira deve ter sido divertida, até por ser diferente, penso que a plateia também percebeu as limitações, mas é assim que se começa.
Um abraço.

BritoRunner said...

Parabéns Paiva

Agora que o Verão está à porta toca a treinar o segmento de natação para poderes repetir a experiência numa outra prova com nhatação em águas livres.

Que me caia um raio se um destes dias não faço também um triatlo.

JCBrito

Fernando Andrade. said...

Miguel
O estilo que cansa mais, pelo menos a mim, é o Kroll, se bem que seja o que a esmagadora maioria utiliza. Faço uns 50metros e tenho de mudar para bruços. E é em bruços que me aguento mais tempo e até se consegue tirar algum rendimento.
Hás-de experimentar.
Grande Abraço.
FA

João Meixedo said...

huuum, a mim não me apanham nisso ;)
Grand'abraço.

luis mota said...

Olá Miguel!
Este fim-de-semana há um Triatlo em Peniche!
Se tivesse disponibilidade esta seria a modalidade que gostaria de praticar no futuro.
Acho que deves repetir.
Grande abraço,
Luís Mota

Anonymous said...

As piscinas dispõem de aulas com professores e fazer um triatlo fora da piscina é muito diferente e nada aconselhável para quem está no nível do Miguel. Por isso, é melhor ir pensando nessa hipótese, e parabéns pela determinação. F Marinho

Mark Velhote said...

Olá Miguel,

Parabéns pela participação!Enquanto estou de férias tenho aproveitado para "fazer umas piscinas" e o grau de dificuldade é imenso! Uns meros 300 metros parecem uma "maratona" tal como referiste!
Qualquer dia também me aventuro, mas acho que vou começar pelo duatlo, porque se fizer um triatlo no rio ou no mar arrisco-me a ser levado pela corrente...rs rs rs

Grande Abraço

Mark

TSC said...

Caro Miguel Paiva:
Desde sempre fiz desporto mas comecei a alternar a musculação com a corrida e como estimulo increvi-me pela primeira vez numa prova na maratona da marginal...onde andei grande parte do percurso ao teu lado. Quando vim ao google procurar os resultados dei com o teu blog, coincidencia incrivel...e desde entao acompanho as tuas experiencias, inclusive o triatlo. Da bancada das piscinas assisti á tua prova de coragem e auto confiança ( ao contrário de mim que não a tive) e sinceramente emocionei-me. Encaras aquilo que o desporto tem de melhor. Aqui fica este link para que visites pf..momentos antes de me teres dado a rectada final.Um abraço, http://www.cm-pvarzim.pt/desporto-na-povoa/2009/atletismo/iii-grande-premio-da-marginal/galeria-de-imagens/014.jpg/image_view_fullscreen

MPaiva said...

Caro TSC,

Obrigado pelas tuas simpáticas palavras e pela foto, que não conhecia.
Um abraço e boas corridas!

MPaiva

tiago maia said...

sabes onde posso ver as fotos todas deste triatlo?

 
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