Como é habitual, cheguei a Santo Tirso com cerca de uma hora de antecedência sobre o início da prova. Acompanhado pelos meus colegas de equipa, o Baltazar Sousa e o João Ferreira, começamos por cumprir os formalismos legais (levantar dorsais), para depois iniciar o aquecimento.
O ambiente estava bom. Ainda decorriam algumas provas (S. Silvestre dos mais jovens e uma prova de bicicletas) e a praça defronte dos Paços do Concelho estava pejada de gente. De um lado estavam imensos atletas e elementos das diversas equipas e do outro havia muito público, que veio à rua acompanhar a S. Silvestre da Cidade.
O aquecimento, para além de activar os músculos, foi o momento para encontrar alguns amigos. O primeiro foi o
José Capela, com quem falei pela primeira vez, trocando palavras de incentivo e algumas impressões sobre a nossa dedicação à corrida. Para além de corredor, fiquei a saber que é meu colega de profissão (embora eu não a desempenhe actualmente)!
Encontrei ainda a dupla
Meixedo/
Velhote, que se apresentou em Santo Tirso em conjunto e com quem também tive o prazer de conversar alguns minutos. As provas são momentos bons para estes encontros, mas não são muito propícios a grandes conversas, seja porque estamos concentrados no início da prova ou porque acabamos em momentos diferentes ou porque queremos regressar a casa prontamente.
Encontrei ainda alguns amigos do Rompe Solas de Vila do Conde, que estiveram em Santo Tirso com uma representação menor do que é habitual, mas com o mesmo entusiasmo, bem ilustrado na imagem do "Pai Natal com Asas" (Seabra), como a minha filha o batizou no Porto!
Vamos então à prova. Atrasados cerca de 15 minutos, começamos a descer pelas ruas de Santo Tirso em alta velocidade. Ao contrário das duas últimas provas pude começar em grande ritmo, pois aproveitei o declive para me lançar para uma boa prova. Fiz o primeiro quilómetro em 3:40, tendo nesta fase ultrapassado muito atletas, pois não fui dos primeiros a partir. Depois de descer bastante, houve uma ligeira subida, coincidente com a ponte sobre a linha do caminho de ferro, o que fez com que o ritmo do segundo quilómetro baixasse um pouco. Mesmo assim consegui fazer 4:06, o que me dava algum ânimo, que ainda foi maior quando me apercebi que o terceiro quilómetro também era sempre a descer. Fiz aqui o meu quilómetro mais rápido, com 3:33 o que, sendo bom, me deixava apreensivo quanto ao que viria a seguir. Se isto desceu tanto nos primeiros 3 quilómetros, como será agora? - pensei eu. A resposta era fácil de adivinhar: vai começar a subir! Foi assim que reentramos na cidade de Santo Tirso, fazendo o percurso inicial (por ruas próximas das iniciais), mas no sentido ascendente até passarmos pela meta completando metade do percurso. Os tempos por quilómetro baixaram substancialmente, com o quarto a ser cumprido em 4:32 (o pior de toda a prova) e o quinto em 4:16. Mesmo assim a prova estava a correr-me bem, com a passagem a meio do percurso a ser efectuada em 20:20, o que fazia prever um bom resultado final.
Se na primeira volta fomos à parte norte da cidade, a segunda volta pretendia fazer o "abraço" a sul. Esta segunda parte foi substancialmente diferente da primeira, pois era muito mais plana. As inclinações eram em menor número e mais curtas, o que apelava a um tipo de esforço sem tantas oscilações. Pessoalmente demorei um pouco a adaptar-me a esta parte da prova. Fiz o sexto quilómetro em 4:09 e o sétimo em 4:24, altura em que havia algumas subidas. A partir do sétimo quilómetro comecei a sentir força nas pernas e a ter a sensação de que poderia subir um pouco o ritmo de corrida. O oitavo quilómetro já foi cumprido em 4:09 e o nono em 3:47, tendo nesta fase aproveitado uma descida não muito inclinada, mas prolongada. Com a força que sentia, subi um pouco o ritmo para tentar acabar no melhor tempo possível, tendo feito o último quilómetro em 3:58 (havia uma ligeira subida), para acabar com o tempo final de 40:58.
Este tempo passa a ser o meu melhor registo em provas de 10 Km o que, obviamente, me deixa bastante satisfeito.
Em relação à prova quero deixar as seguintes notas:
- De acordo com o meu relógio NSports, o percurso tem exactamente os 10.000 metros anunciados e as placas com os vários quilómetros ao longo do percurso estavam correctamente colocadas;
- É uma prova simpática, numa cidade que recebeu bem os atletas e em que o público deu um bom apoio, especialmente no centro;
- A ideia dos Jesuitas no saco final é fantástica, especialmente para quem, como eu, é apreciador dessa iguaria;
- Já a medalha que oferecem é fracota;
- É pena que haja algumas partes do percurso em que a iluminação é escassa, o que não acontece por falta de postes de iluminação, mas porque estes se encontravam inactivos;
- Uma grande parte do percurso é em paralelo, o que não é nada bom para os atletas.