Wednesday, 7 January 2009

Rapidinha


A prática do exercício físico é aconselhável a praticamente todas as pessoas, pelo que é positivo que haja quem decida dedicar uma parte do seu tempo a esta prática. No entanto, como em tudo na vida, há muitas formas de o encarar e de o praticar.
Vem isto a propósito de uma situação com que me deparei e que chamou a minha atenção. Por circunstâncias diversas, faço grande parte dos meus treinos em ginásio, correndo num tapete. Há alguns dias, reparei numa jovem que se instalou no tapete ao lado do meu e que começou a correr.
Era uma mulher que aparentava cerca de 30 anos e uma silhueta que mostrava ser alguém com cuidados. Apesar disso, antes de começar a correr estava a conversar com uma amiga dizendo-se "gordíssima". Não estava!
Depois dessa pequena conversa com a amiga, da qual apenas apanhei essa expressão, lá começou o seu treino no tapete, que passo a descrever:

COMEÇO DO TREINO NO TAPETE
- Começou a correr ao tirmo de 6:00/Km, o que me surpreendeu um pouco, pois as mulheres que por lá treinam costumam começar muito mais devagar.

1 MINUTO DEPOIS DE COMEÇAR
- Nesta altura já a minha vizinha de tapete rolava a 5:00/Km, mostrando um estilo de corrida que me surpreendeu pela positiva.

2 MINUTOS DEPOIS DE COMEÇAR
- Lançada no treino aquela mulher corredora já estava a correr a 4:20/Km, correndo com determinação e no mesmo estilo elegante.

3 MINUTOS DEPOIS DE COMEÇAR
- Sem esmorecer já estava a correr ao ritmo de 4:00/Km, o que é assinalável e me impressionou imenso. "Finalmente encontro neste ginásio uma mulher corredora", pensava eu.

4 MINUTOS DEPOIS DE COMEÇAR
- O ritmo baixa subitamente para 6:00/Km e o treino acaba quase de imediato. A "mulher corredora" deixa calmamente o tapete e dirige-se para as máquinas de musculação onde passa mais uns 10 minutos até abandonar o ginásio.

Nós, que corremos, sentimos sempre uma grande alegria ao encontrar outras pessoas que partilhem do nosso prazer pela corrida. Se, para além disso, encontrarmos alguém que o faça com uma intensidade que nos "faça inveja", ao contrário do que seria normal, ficamos ainda mais satisfeitos. Foi isso que me aconteceu por escassos instantes. No entanto, ao ver aquela mulher ter um treino tão fugaz e tão sem nexo, confesso que fiquei confuso. Afinal de contas, o que lhe terá passado pela cabeça para fazer daquela corrida uma "rapidinha"?

5 comments:

Fernando Andrade. said...

Ele bem que disfarçava
Mas, olhando para a vizinha,
Se mais ela acelerava
Mais se via ele à rasquinha.

Já não tendo pedalada
Pr'à adversária que tinha
Forçou, mas não dava nada
Que era danada a vizinha.

Quando o sino já tocava
E a fadiga lhe vinha
Preparado ele já estava
Para saudar a vizinha.

Só que a masculinidade
E o orgulho que tinha
Tinham em contrariedade
A pujança da vizinha.

Mas supreendentemente
Ela parou cansadinha
Ele pulou de contente
Que era só "uma rapidinha".

Carlos Lopes said...

Parabéns pelo post

joaquim adelino said...

Ela está a precisar aí de uma mãozinha experiente. Não custa nada é só para melhorar, depois logo se vê.
Um abraço

Ricardo Baptista said...

Olá Miguel,
A intensão dela não era fazer exercício, mas mostrar-se ao gajo alto e atlético que estava na passadeira...
Agora sem brincadeiras, isto está relacionado com a cultura desportiva que o nosso país tem, com a falta de informação e formação. Só para se ter uma imagem é pensar na quantidade de revistas cor-de-rosa que abundam nos quiosques e nas revistas de desporto.

luis mota said...

Até que dava jeito uma menina numa passadeira!!!
Aqui para os meus lados é só pinheiros e eucaliptos.

Luís Mota

 
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