Sunday, 26 October 2008

A minha Maratona do Porto

Como é habitual em mim nos dias de prova, a manhã começou bastante cedo. às 5h15m o despertador tocou, pois era hora de pequeno almoço. Dois copos de sumo de laranja e dois pães com queijo foram o alimento com que iniciei o dia.
A viagem para o Porto foi, desta vez, feita de mota, com o meu irmão, cuja preciosa ajuda nos abastecimentos ao longo do percurso, foi fundamental. Foi assim que cheguei ao local da partida com cerca de 50 minutos de antecdência face à hora marcada para a partida.
Não hevendo necessidade de grande aquecimento (afinal tinha mais de 42 Km para isso!!!), o tempo foi aproveitado para encontrar e conviver com alguns amigos, como foi o caso do meu colega de treinos, o João Ferreira, o Luis Mota, da Ana Pereira, do António Almeida ou do Fernando Andrade.

A partida foi normal. Tal como disse no post anterior, nota-se a diferença entre a Maratona e as outras provas. Hoje houve muitos menos empurrões, menos pressa em arrancar, o que é bastante mais agradável, diga-se. Acompanhado pelo João Ferreira, fiz o primeiro quilómetro em 5:15, tempo ligeiramente abaixo de que tinha previsto. Perguntei-lhe se ele queria avançar para a média de 5:00/Km, mas ele, prudentemente, disse que preferia continuar assim. Decidi então seguir um pouco mais rápido, tendo encontrado, mais à frente o João Mota Freitas, do Porto Runners, um ex-colega de trabalho da minha mulher e que eu tinha conhecido no dia anterior. O objectivo dele era idêntico ao meu, pelo que seguimos juntos.

Em boa companhia, fomos descendo a Avenida da Boavista e aproveitando o declive para ganhar alguns segundos face à média de 5:00/Km que tinhamos estipulado. Fomos assim até metade da prova, já na Afurada, onde passamos em cerca de 1h44m. Da minha parte sentia-me lindamente. A batida cardíaca era baixa e sentia-me muito bem em termos musculares.
Continuamos neste ritmo até aos 23 Km, altura em que fui forçado a uma curta paragem para satisfazer umas coisas "muito minhas" (daquelas que ninguém consegue fazer por mim...). Devo ter perdido uns 30 segundos, distância que demorei cerca de 1 Km para recuperar, tendo apanhado o João novamente um pouco antes dos 25 Km. Aí estava o meu irmão que me proporcionou o segundo abastecimento de gel. Durante o abastecimento e logo ao entrar na Ponte D. Luis para nos dirigirmos até ao Freixo, percebi que o João Mota Freitas estava a quebrar um pouco e que não ia manter o mesmo ritmo.

Como me sentia bem, decidi avançar e começar o meu contra-relógio até à meta. Fui passando quilómetros até chegar ao Freixo, já com menos de 1 minuto de vantagem sobre a média de 5.00/Km. Ao 30 Km essa vantagem face à média "mágica", que me garantiria um tempo na casa de 3h30m continuava a diminuir, embora ainda fosse positiva. Julgo que consegui andar dentro dela até aos 31/32 Km. A partir daí comecei a sentir as pernas a pesar cada vez mais e sem capacidade de imprimir ritmos mais elevados.
Percebi que já não iria conseguir as 3h30m. Sem dramas, deixei-me ir dentro do ritmo que o corpo permitia. Afinal ainda faltavam cerca de 10 Km para a meta e havia mais a perder do que a ganhar em arriscar naquelas circunstâncias. Creio que comecei a andar a 5:15/Km e devo ter baixado até ao máximo de 5:45/km durante os últimos 10 de prova.
A ordem que o corpo tinha era de andar o que fosse possível. Apesar de mostrar um lado compreensivo com o que se passava com o organismo, não deixei de tentar avançar com determinação e entusiasmo, evitando assim pensamentos negativos ou a sensação de me estar a arrastar, o que ainda poderia agravar mais as coisas.

Felizmente os quilómetros iam passando e com a entrada na Avenida da Brasil, momento em que se sente estar bem perto da meta, fica-se com a clara sensação de que a prova "está no papo", como se costuma dizer.

Com calma e sempre ao mesmo ritmo, subi a Avenida da Boavista para os 2 últimos quilómetros, sentido o apoio de várias pessoas, certamente ligadas aos atletas ainda em prova, tendo chegado à meta no tempo que já sabem. Verifiquei que fui o 276º da Classificação Geral, lugar que me coloca ligeiramente acima de metada da tabela!

Depois de cruzar a meta e de parar de correr, senti grandes dores musculares. A longa espera para as massagens foi algo dolorosa, mas depois de tratado pelas mãos do massagista da prova, as coisas melhoraram significativamente. Neste momento, já cerca de 12 horas depois da prova, sinto as pernas em (relativo) bom estado, prontas para um ligeiro treino de recuperação amanhã.

Como vêm, correr uma Maratona não é nada do outro mundo. É apenas uma questão de querer e, querendo mesmo, fazer o que deve ser feito. Depois, é fácil!

6 comments:

Anonymous said...

Caro MIguel

mais uma vez parabéns pela tua prestação, a preparação cuidada apontava nesse sentido mas a "Maratona" é sempre uma caixinha de surpresas.
Foi um prazer ter-te conhecido pessoalmente e igualmente um prazer ter-me consagrado maratonista na mesma prova que tu.
Foi muito agradável partilhar contigo (e o Luís Mota) junto com os nossos familiares e amigos os momentos (de alguma nattural ansiedade) antes da partida.
Uma boa recuperação e outras virão.
Grande abraço,
António Almeida

Maria Sem Frio Nem Casa said...

Muitos Parabéns Miguel!!

Um beijinho

AP

José Capela said...

Caro, Miguel

Parabéns e bem-vindo ao admirável mundo dos maratonistas!

Abraço

José Capela

PS: Brevemente darei notícias no meu blog sobre a minha participação.

Anonymous said...

Olá Miguel

parabéns Maratonista. Bem vindo àslides!
Bom descanso e melhores projectos vindouros.
abraço
ab - tartaruga

joaquim adelino said...

Olá Miguel.
Sinto grande satisfação em felicitá-lo por ter completado a Maratona do Porto e num excelente tempo, o que revela que teve uma preparação cuidada para o conseguir.
Parabéns também pelo relato da prova e pelo apoio do mano que foi muito importante.
Perdi uma boa oportunidade de conhecer tantos amigos e que estão representados naquela fóto.
Recupere bem e até breve.

runningirl said...

Miguel

Parabéns por uma excelente corrida. Eu tambem corri uma maratona neste domingo; a Marine Corps" marathon em Washington, aqui nos Estados Unidos. Eu terminei em 4: 17 minutos. Alem de ser sido uma corrida dificil devido as muitas subidas e descidas me machuquei na milha 22 e dai foi dificil conseguir alcançar a meta de terminar em 4 houras ou menos.

Acho que o erro foi haver corrido 2 maratonas em um periodo de 2 semanas. Mais valeu a experiencia.

Mais uma vez parabéns pelo seu sucesso.

Abraços,
Sandra Partridge
www.partridgeusa.blogspot.com

 
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