A viagem para o Porto foi, desta vez, feita de mota, com o meu irmão, cuja preciosa ajuda nos abastecimentos ao longo do percurso, foi fundamental. Foi assim que cheguei ao local da partida com cerca de 50 minutos de antecdência face à hora marcada para a partida.
A partida foi normal. Tal como disse no post anterior, nota-se a diferença entre a Maratona e as outras provas. Hoje houve muitos menos empurrões, menos pressa em arrancar, o que é bastante mais agradável, diga-se. Acompanhado pelo João Ferreira, fiz o primeiro quilómetro em 5:15, tempo ligeiramente abaixo de que tinha previsto. Perguntei-lhe se ele queria avançar para a média de 5:00/Km, mas ele, prudentemente, disse que preferia continuar assim. Decidi então seguir um pouco mais rápido, tendo encontrado, mais à frente o João Mota Freitas, do Porto Runners, um ex-colega de trabalho da minha mulher e que eu tinha conhecido no dia anterior. O objectivo dele era idêntico ao meu, pelo que seguimos juntos.
Continuamos neste ritmo até aos 23 Km, altura em que fui forçado a uma curta paragem para satisfazer umas coisas "muito minhas" (daquelas que ninguém consegue fazer por mim...). Devo ter perdido uns 30 segundos, distância que demorei cerca de 1 Km para recuperar, tendo apanhado o João novamente um pouco antes dos 25 Km. Aí estava o meu irmão que me proporcionou o segundo abastecimento de gel. Durante o abastecimento e logo ao entrar na Ponte D. Luis para nos dirigirmos até ao Freixo, percebi que o João Mota Freitas estava a quebrar um pouco e que não ia manter o mesmo ritmo.
Percebi que já não iria conseguir as 3h30m. Sem dramas, deixei-me ir dentro do ritmo que o corpo permitia. Afinal ainda faltavam cerca de 10 Km para a meta e havia mais a perder do que a ganhar em arriscar naquelas circunstâncias. Creio que comecei a andar a 5:15/Km e devo ter baixado até ao máximo de 5:45/km durante os últimos 10 de prova.
A ordem que o corpo tinha era de andar o que fosse possível. Apesar de mostrar um lado compreensivo com o que se passava com o organismo, não deixei de tentar avançar com determinação e entusiasmo, evitando assim pensamentos negativos ou a sensação de me estar a arrastar, o que ainda poderia agravar mais as coisas.
Como vêm, correr uma Maratona não é nada do outro mundo. É apenas uma questão de querer e, querendo mesmo, fazer o que deve ser feito. Depois, é fácil!